TESOUROS INSIGNIFICANTES


Não tenho palavras para doar, nem para animar. Não tenho palavras que retratem a aparência dos dias que tenho vivido. Nem mesmo tenho palavras para descrever o que comi no café da manhã.

Tudo o que tenho são lembranças. Lembranças guardadas empoeiradas, frescas temperadas, vagas e vazias. Lembranças sombrias, tristes e algumas reprimidas. Lembranças que despertam diversas emoções, emoções essas que estiveram adormecidas em algum lugar em mim por anos, séculos e segundos...

Avançam as descontroladas emoções. Boas, ruins, estranhas, estimulantes, calorosas, calorentas, vergonhosas, desesperadas. Florescem como rosas na tarde de outono ou fluorescem inundando com luz prateada a escuridão.

Emoções libertam sensações: prazer, repulsa, nostalgia. Ventania. São enchentes que transbordam do rio da alma e afogam minhas palavras.

Ainda não tenho palavras.

Elas estão se dissolvendo pelos arranha-céus, se decompondo lentamente na rua da amargura.

Agora podem estar voando com os pássaros nas montanhas, resplandecendo entre a luz de um holofote, ou simplesmente pairando sobre minha cabeça.

Para encarar o amanhã e encontrar forças no hoje só me restou uma palavra: amor.

Pode guardá-la para você, se quiser.

BRISA DE ABRIL


Um amor, uma aventura, um sonho demasiado longo. Uma loucura, uma cena de novela. Erva cidreira.
Sorriso maravilhoso. Olhar de lince, hábil e voraz. Bem-estar e felicidade. Falta de coerência. Saudade, desejo, prazer. Risadas e paz interior. Vontade de fugir para bem longe, te curtir, cantar uma canção, um verso meu. Brincadeira proibida. Destino errado e incerto. Destino errante. Estrelas e o sol. O céu muito azul. Neblina verde. Cachoeira, musgos na pedra. Cheiro de terra. Esquentar. Completar. Acariciar. Querer estar viva. Gostar de alguém. Ansiosidade. Chorar sem nenhum motivo aparente. Crer que será melhor desta vez. Luz no fim do túnel, esperança. Eclipse lunar. Adão e Eva. Pensamentos. Firmamento. Era. Efeito colateral. Portal da felicidade. Alegria temporária. Distância. Martírio. Apenas lembranças de um dia de outono.

DESCREVENDO O INDESCRITÍVEL


Amar alguém é ser imprevisível

É pegar um atalho nas asas do destino

que leve direto ao coração

É querer viver para sempre

Se fazer eterno no tempo que se passa

em função de provar a imensidão do seu amor

Amar alguém é desejar intensamente

Querer acabar com a distância entre dois corpos

por menor que ela seja, estreitá-la

Querer entrar na pessoa amada de todas as maneiras possíveis e impossíveis

Entrar nos pensamentos, nos sonhos, nas lembranças boas

e também penetrar no corpo dela para que seja um corpo só

sem saber onde eu começo e você termina

Amar alguém é ir além do óbvio

Recomeçar do zero outra vez

Sorrir ao encontrar-me em seu olhar

É não precisar fazer sentido

e abrigar em si mesmo o mais forte sentimento

capaz de fazer tudo ter um sentido

e ter um sentido para tudo

Amar alguém é quando o mundo se resume em uma pessoa

É entregar-se ao desconhecido

É sentir que está queimando, porém consentir por estar aquecido

É ser masoquista, receber a dor de portas abertas

pois a sua visita é confortável

Ignorar o medo de se machucar e seguir arriscando

Pôr a mão no fogo

pelo simples fato de amar alguém

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